Diabetes Mellitus
A insulina, que é um hormônio secretado pelo pâncreas, faz com que as células musculares e adiposas fiquem altamente permeáveis à glicose, possibilitando assim, sua rápida entrada nas mesmas. Isto é necessário para que as funções metabólicas dos carboidratos aconteçam.
Durante grande parte do dia, o tecido muscular não depende da glicose para produzir sua energia pois, quando em repouso, a membrana de suas fibras é muito pouco permeável a ela, exceto quando estimulada pela insulina. Os músculos utilizam grandes quantidades de glicose durante exercícios, moderado ou intenso, quando não requerem grandes quantidades de insulina. Isto acontece, por que suas fibras nestes momentos, tornam-se muito permeáveis à glicose, mesmo em ausência de insulina, em virtude do próprio processo de contração.
Durante as horas imediatamentes subsequentes a uma refeição, quando a concentração de glicose na corrente sanguínea é elevada, o pâncreas secreta grande quantidade de insulina que faz com que ocorram os seguintes eventos:
- A glicose é transportada para o interior do músculo. Quando os músculos não estão se exercitando, ela é armazenada sob a forma de glicogênio muscular, num limite de concentração de 2 a 3%, podendo ser utilizado posteriormente pelos mesmos, para fins energéticos.
- A glicose é absorvida em forma de glicogênio no fígado, podendo chegar a constituir até 5 ou 6% de sua massa total . Quando sua quantidade é maior do que a que pode ser armazenada, a insulina promove a conversão de todo esse excesso em ácidos graxos que são acondicionados sob a forma de triglicerídeos em lipoproteínas que são transportadas pelo sangue até o tecido adiposo, sendo então depositadas como gordura. Entre as refeições, quando não há alimento disponível e a concentração sanguínea de glicose começa a cair, o glicogênio hepático é novamente decomposto em glicose que volta a ser liberada para o sangue, para impedir que sua concentração sanguínea caia demais.
- A insulina promove a formação de proteínas e, ao mesmo tempo impede sua degradação. Quando não há insulina disponível, quase todo o armazenamento de proteínas é interrompido.
A glicose é o combustível do cérebro e nele a insulina exerce pouco ou nenhum efeito sobre sua captação ou utilização. Suas células, permeáveis à glicose, podem utilizá-la sem a sua intermediação. Ele é muito diferente da maioria dos tecidos e células do corpo. Por esta razão, é essencial que o nível de glicose seja sempre mantido acima do crítico. Quando há glicemia (falta de glicose) em demasia, ocorrem sintomas de choque hipoglicêmico, caracterizado por irritabilidade nervosa progressiva que leva a desfalecimento, convulsões e coma.
A insulina promove a utilização de carboidratos para fins energéticos e deprime a utilização de lipídios. Inversamente, sua falta causa a utilização predominante de lipídios, principalmente através da exclusão da utilização de glicose, exceto no tecido cerebral. O sinal que controla esse mecanismo de alternância rápida é principalmente, a concentração sanguínea de glicose. Quando a concentração de glicose está baixa, a secreção de insulina é suprimida e os lipídios são utilizados quase que exclusivamente para fins energéticos, exceto no cérebro. Quando está alta, a secreção de insulina é estimulada e os carboidratos são utilizados em lugar dos lipídos até que o excesso de glicose seja armazenado. Portanto, um dos mais importantes papéis funcionais da insulina no corpo é o de controlar, momento a momento, qual desses dois alimentos vai ser utilizado pelas células para fins energéticos.
O glucagon , hormônio que também é secretado pelo pâncreas, exerce funções opostas à da insulina. A mais importante delas é seu efeito de aumentar a concentração sanguínea de glicose. Quando a glicose sangúinea cai para 70 mg/dl de sangue, o pâncreas secreta grande quantidade de glucagon que mobiliza rapidamente a glicose do fígado, protegento o organismo da hipoglicemia. Sendo a glicose o único nutriente utilizado pelo cérebro, pela retina e pelo epitélio germinativo das gônadas é de vital importante manter sua concentração sanguínea em nível suficientemente elevado para proporcionar ssa nutrição necessária.
Formas de diabetes:
- Tipo 1 - geralmente apresentam os sintomas clássicos e agudos da hiperglicemia: polidipsia (excessiva ingestão de líquidos), poliúria (maior volume urinário), perda de peso e, com menor frequência polifagia ( exagerada sensação de fome), visão turva e prurido. Em 25% dos casos, a manifestação inicial consiste em cetoacidose diabética.
- Tipo 2 - a doença manifesta-se frequentemente muitos anos antes do diagnóstico. Os sintomas são menos agudos do que no diabetes tipo 1 e podem ser acompanhados de letargia e fadiga. Em geral são pessoas de idade avançada.
- Gestacional: intolerância à glicose durante a gravidez. Ocorre em 2 a 5% de todas as gestações. Se não for diagnosticado e tratado pode ser grave para a mãe e para o feto. Normaliza após o parto.
Critérios para diagnóstico de Diabetes Mellitus: Glicose plasmática em jejum: normal - entre 70 a 99 mg/dl; tolerância diminuída - entre 100-125 mg/dl; diabetes mellitus - >= 126; diabetes mellitus gestacional - >= 126.
Fonte: Fisiologia humana e mecanismos das doenças - Guyton e Hall
Marcadores: diabetes mellitus; doenças metabólicas; insulina; glicose

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